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Archive for October 5th, 2009

Mente e Corpo

October 5th, 2009

 

Gestos ajudam a desenvolver inteligência
Pesquisa mostra novas possibilidades na relação corpo-pensamento
 

iStock/René Mansi
 

Ao entrar em um café movimentado, você provavelmente verá pessoas conversando e gesticulando. Um homem no balcão indica o café que deseja ─ xícara média, ─ e suas mãos assumem um formato familiar, mostrando o tamanho da xícara. Ao lado dele, duas irmãs riem. Enquanto uma delas conta uma história sobre sua viagem a Fernando de Noronha e todos os peixes que viu nos mergulhos que fez, suas mãos sacodem e se movem rapidamente no mar invisível à sua frente. O instinto de gesticular acompanhando a fala é fundamental para a natureza humana.

Se você já questionou o porquê dos gestos, provavelmente pensou que gesticulamos para auxiliar na compreensão do que estamos querendo dizer. Indicar o tamanho de uma xícara ou a dose de uma bebida pode ajudar o balconista a entender exatamente o que você deseja. Mostrar onde o peixe se escondeu ou a velocidade com que ele se movimentou pode ajudar a amiga a criar uma imagem mais exata da sua percepção dos recifes locais.

Mas, será que os gestos podem ter também outra finalidade? Muitos cientistas acreditam que os gestos podem ajudar o interlocutor e os movimentos das mãos ajudam a pensar. Cientistas se interessam cada vez mais pela relação corpo-pensamento, ou como nosso corpo dá forma a processos mentais abstratos. Os gestos estão no centro dessa questão. O debate se concentra no papel do movimento na aprendizagem, e nas pesquisas sobre como os alunos aprendem a resolver problemas de matemática na sala de aula.

A titulo de ilustração, considere o problema da soma: 3 + 2 + 8 = _ + 8. Um aluno pode criar uma forma de “v”, com o indicador e o dedo médio, entre os algarismos 2 e 3, enquanto tenta entender o conceito de “agrupamento”, somando os números adjacentes, técnica que pode ser usada para resolver o problema.

Pesquisas anteriores mostraram que quando foi solicitado aos alunos para gesticular enquanto conversassem sobre problemas, aprenderam a resolvê-los de forma mais eficiente. Isso foi verificado, independentemente de se dizer aos alunos quais gestos fazer ou se os gestos eram espontâneos.
Agora a questão é: como isso acontece? O novo estudo, conduzido por Susan Goldin-Meadow e Zachary Mitchell, da University of Chicago, e por Susan Wagner-Cook, da University of Iowa, teve como foco a resolução de problemas matemáticos por alunos de terceira e quarta séries do ensino básico. Os alunos treinados a utilizar a forma de “v”, ao resolver um problema como 3 + 2 + 8 = __ + 8, aprenderam a solucioná-lo com maior eficácia. Além disso, os alunos apresentaram melhor desempenho mesmo se treinados a empregar a forma de “v” em pares de números errados. Pelo simples ato de fazer o gesto o corpo sugere o conceito de “agrupamento”.

A questão então é: qual teria sido exatamente o procedimento que permitiu isso? Durante o estudo, todos os alunos memorizaram a frase “Quero deixar um lado igual ao outro”. Na ocasião, foi solicitado que os alunos dissessem a frase em voz alta quando fosse apresentado um problema a ser resolvido. Os autores sugerem que os alunos que gesticularam também tentaram criar uma correlação entre a fala e os gestos de forma a unir os dois significados. Esse procedimento poderia consolidar o novo conceito de “agrupamento” na mente dos alunos.
O mesmo processo poderia ocorrer em qualquer situação em que a pessoa que fala e gesticula tenta entender, seja relembrando detalhes de eventos passados ou imaginando como montar uma bicicleta recém retirada da embalagem.
O estudo tem implicações importantes para o campo da Psicologia Cognitiva.

Historicamente, esse campo entende conceitos (os elementos básicos do pensamento), como representações abstratas que não contam com a fisicalidade. Essa noção, conhecida como dualismo cartesiano, agora está sendo desafiada por outra linha de pensamento, chamada Cognição Corporal, que entende conceitos como representações corporais baseadas na percepção, ação e emoção. Embora muitas evidências sustentem a visão da Cognição Corporal, até agora nunca existiu um relato detalhado baseado em experimentos de como a incorporação dos gestos desempenha um papel na aprendizagem de novos conceitos.

O estudo também tem implicações práticas aos professores didáticas, que podem reformular sua didática para ensinar aos alunos novos conceitos utilizando gestos. Os resultados desse estudo podem não valer para os gestos feitos em bares e cafés que você costuma frequentar, no entanto, na próxima vez que conversar com uma amiga gesticuladora, pode ser interessante considerar como o movimento das mãos contribuem para dar forma aos pensamentos dela e aos seus.

Fonte: Revista Scientific American

Saúde

Como lidar com as emoções destrutivas

October 5th, 2009

 

Fonte: Vya Estelar
por Elisa Kozasa

"Um dos aspectos que pode nos ajudar a evitar que estas emoções destrutivas nos dominem é o treinamento da observação atenta do que ocorre em nosso mundo interno e externo" Duas semanas atrás, tive a oportunidade de estar em um retiro com um monge, Geshe Lhakdor, que foi assistente do Dalai Lama por 14 anos. Uma experiência ímpar de ouvir a sabedoria de um homem que não apenas conviveu (e tem contato próximo até hoje), com um prêmio Nobel da Paz, mas que teve também sua própria rica experiência de vida. Ele próprio possui um título equivalente ao doutorado dentro de sua tradição que é o Budismo Tibetano.

Ao contrário do que eu imaginava inicialmente sobre um retiro com um monge, em que pensei que seriam horas e mais horas de prática meditativa, ele optou por priorizar aulas teóricas e ensinamentos práticos para o dia-a-dia. Foi uma grata surpresa. Talvez ele tenha feito isso pelo fato do público ser bastante eclético.

Um dos pontos mais importantes que por diversas vezes ele ressaltou durante aquele final de semana, foi a importância de lidar com nossas emoções aflitivas. Ao nos deixarmos dominar por emoções aflitivas, frequentemente, cometemos atos dos quais nos arrependemos, e dedicamos tempo a fazer coisas e a sentimentos pouco produtivos. Por exemplo, ao deixar a raiva tomar conta de nós, perdemos a sanidade mental, dizemos coisas que muitas vezes estão além da verdade e comprometemos até mesmo nossa saúde física: nossa pressão arterial se eleva, bem como nossos batimentos cardíacos sobem e hormônios que em excesso podem ser prejudiciais (como a adrenalina e o cortisol) caem em nossa circulação sanguínea. Se já tivermos um problema cardiovascular, dependendo da intensidade, esta raiva pode até ser fatal.

Quando a ansiedade nos domina, os efeitos também não são agradáveis. Perdemos horas de sono, ficamos agitados, nossa mente fica pulando como um macaco de um pensamento para outro, nossa capacidade de focar em uma atividade é reduzida e nos sentimos exaustos.

Um dos aspectos que pode nos ajudar a evitar que estas emoções destrutivas nos dominem é o treinamento da observação atenta do que ocorre em nosso mundo interno e externo. A observação de cada evento e fato de nossa vida, buscando a verdade, a verdadeira realidade pode nos ajudar a lidar melhor com as emoções destrutivas.

Com uma mente observadora e equânime como esta, provavelmente começaremos a perceber que muitas vezes exageramos nas reações aos diversos eventos do dia-a-dia, e que hiperestimamos os fatos negativos. Pode ser também que estejamos dando crédito demais a fatos positivos que tempos depois podem se mostrar não tão relevantes, e sentirmos decepção.

O equilíbrio parece que está no treino contínuo de um olhar aguçado sobre a realidade dos fatos da vida. Algo de bom que o tempo e a idade podem nos trazer e que se traduz em sabedoria. Felizmente, não há plástica que possa apagar os sinais deste tipo de maturidade. Enquanto alguns tentam negar o tempo que passou, outros procuram tirar vantagem das décadas percorridas. Parece ser este o caso de Geshe Lhakdor.

Dicas de leitura:

Dalai Lama, Goleman D. Como lidar com emoções destrutivas. Editora Campus.

Geshe Lhakdor. Meditação e compreensão da mente. São Paulo: ed. Palas Athena, 2009.

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