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Os Perigos da Raiva

October 22nd, 2009

Raiva é o resultado de nossos desejos e expectativas que não foram realizadas

O sangue ferve, a respiração fica ofegante, a cara fica sisuda, o seu dia parece que acabou naquele exato momento. A cena descrita é um efeito presente em situações do nosso dia a dia: o que você sente é raiva. O problema é que quando não é trabalhada psicologicamente, a raiva gera rancor, mágoa e até dor física, que podem levar a doenças como depressão e estresse, além de prejudicar os relacionamentos.

Guardar para si esta sensação ruim só potencializa a angústia, por isso os especialistas aconselham ponderação e maturidade na hora de lidar com ela. "Estamos suscetíveis a senti-la já que estabelecemos relações afetivas com o outro, porém, devemos aceitar que ele não é o culpado pelo o que sentimos. Sentimos raiva por que não temos nossas expectativas concretizadas e daí vem a mágoa. Só que o outro não tem que, necessariamente corresponder as nossas expectativas, mesmo quando a causa é a injustiça ou a humilhação. Não somos iguais", explica o psicólogo Chris Almeida. 

Uma pitada necessária, mas perigosa

Para o psicólogo Chris Almeida, a raiva é um sentimento fundamental para as relações humanas. "Ela faz você reagir ao que te faz mal, faz você querer mudar", explica ele. "Porém, quando em dose excessiva, causa mágoa e rancor e provoca muito mais mal para quem a sente do que para quem a despertou", continua. "Se a pessoa não sabe lidar com a frustração, pode desenvolver quadros de depressão e estresse graves, que só serão curados quando o paciente aceitar que a realidade nem sempre corresponde ao esperado", alerta o psicólogo. 

"Sentimos raiva por que não temos nossas expectativas concretizadas".

O mundo não gira ao seu redor

Faz parte de saber lidar com a raiva entender que caminhamos sozinhos e que devemos correr atrás das coisas que queremos sem esperar delas nada em troca. Quando crianças, somos levados a acreditar que somos o centro das atenções e nos acostumamos com mimos e manhas e, quando crescemos, é difícil perceber que isso mudou e que as pessoas não vão fazer tudo o que queremos. "Quando não espero do outro aquilo que posso fazer por mim mesmo, não há frustração. A raiva é irmã mais velha do fracasso. Se valorizo demais esse sentimento, é por que deposito sempre no outro aquilo que é minha obrigação", explica o psicólogo. 

 

O culpado sou eu?

Para Chris Almeida, a raiva é sempre causada pelas expectativas que depositamos no outro e não por culpa de alguém. Por isso, antes de culpar o outro pela raiva que sentiu, lembre-se de que você depositou sobre ele expectativas e desejos que são seus. "Mesmo quando esbarramos na mesinha da sala ao tentar chegar na cozinha, e sentimos raiva por isso, a causa do problema é a frustração de termos sido impedidos de fazer algo. A raiva é sempre fruto de um desejo que não se cumpre", explica o psicólogo.  

"A raiva faz você reagir ao que te faz mal, faz você querer mudar"

Pronto, falei!

Guardar para si o sentimento é sempre pior. A raiva guardada vai se armazenando e tomando dimensões maiores. Na hora do desabafo, muitas vezes, aparecem mágoas do passado que estavam adormecidas e geram ainda mais confusão. "Por isso, resolva o problema conversando com o outro e tenha sempre em mente que ele não tem a obrigação de corresponder as suas expectativas", sugere o psicólogo. 

"A raiva é irmã mais velha do fracasso. Se valorizo demais esse sentimento, é por que deposito sempre no outro aquilo que é minha obrigação".

Espere a poeira baixar

Na hora da raiva, a sensação de angústia e mal-estar sempre supera a racionalidade, agimos por impulso, e depois nos arrependemos. Para evitar essa situação, o psicólogo aconselha paciência e ponderação: "Espere a poeira baixar. Depois de certo tempo, digerimos melhor as coisas e não magoamos quem não tem culpa e, muitas vezes, evitamos que o problema se torne ainda maior por simples falta de jeito de lidar com a situação", diz ele. 

Extravase e liberte-se

Se não dá para falar com o outro sobre a raiva para resolver e deixar as coisas às claras, o jeito é optar por meios alternativos. "Que tal um saco de pancadas ou um grito? Isso alivia a tensão", sugere Chris. Manual para não deixar que a raiva tome conta de você
1- Não crie muitas expectativas em relação ao comportamento dos outros
2- Aceite o fato de que você não é o centro de tudo
3- Alivie a tensão com diálogo e métodos alternativos: exercícios físicos e meditação podem ser boas opções. "A raiva é como uma toxina, e precisa ser liberada para não se converter em coisas ruins", explica o psicólogo.
4- Procure reverter a raiva em estímulo, assim, você canaliza sua força para fazer coisas boas

 

Fonte: Site Minha Vida

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Depressão Infantil

October 22nd, 2009

Fonte: Site Minha Vida

É importante ressaltarmos que os fatores psicossociais estressores contribuem para desestabilizar pessoas que aparentemente estão estáveis, mas só aparentemente, pois essa pessoa pode estar simplesmente na fase que chamamos de equilíbrio instável. Qualquer "sopro", a estrutura da pessoa se desmorona.

O meio ambiente exerce um poder muito grande sobre o emocional de pessoas em geral, sejam elas crianças, adolescentes ou adultos. Jéssica é uma menininha de dois anos, que começou a apresentar problemas de comportamento após a sua mãe entrar em mais um quadro de depressão maior.

Sua mãe passou a apresentar o que chamamos de anedonia, ou seja, falta de prazer nas coisas que antes gostava e com isso, outras pessoas da família passaram a tomar conta de Jéssica. Ao final de duas semanas, a menina passou a ficar birrenta, "mimada"e começou a fazer xixi na cama, coisa que ela já não mais fazia. O pai de Jéssica ficou muito aborrecido com a irmã de sua esposa, achando que ela estava fazendo todas as vontades da menina e que a sua mudança de comportamento estaria sendo causada porque a tia passou a fazer todas as vontades da criança, para suprir a falta da mãe.

O clima dentro de casa piorou ainda mais as coisas, com a irritabilidade do pai, que passou a ser hostil e autoritário com a pequena criança, passando a impor castigos e a exigir da pequena criança atitudes de crianças mais velhas. Uma semana após isso, Jéssica passou a ficar apática e desinteressada das bonecas e dos brinquedos em geral. Perdeu o apetite e passou a ter o sono muito agitado.

O pai ficou desesperado, e mandou que a tia da menina fosse embora, pois ele atribuía à ela, todo aquele estado "dengoso" da filha. Sem a tia, Jéssica passou a não falar mais, recusando-se a comer quase por completo. Choramingava o dia todo, vomitava, e ficou muito enfraquecida. Rejeitava o pai e recusou a chegar perto da mãe. Demonstrava pavou ao ver a mãe deitada no quarto escuro com uma venda nos olhos, por conta de enxaquecas severas que apresentava.

Por fim, os avós da menina, desesperados com a situação da filha e da neta, foram conversar muito sério com o genro. Obrigaram-no a chamar um psiquiatra em casa para fazer uma consulta na filha, pois sabiam que muitos sintomas dela eram de DEPRESSÃO. O marido, muito a contragosto, não teve outro jeito a não ser permitir a presença do médico, apesar de continuar afirmando que tanto a mulher e a filha estavam fazendo "charminho" e querendo chamar atenção e que só estavam daquele jeito, porque não tinham a menor força de vontade de melhorar e que ele, no lugar delas, já estaria bom a muito tempo…

Resumindo, o médico foi examinar a mãe de Jéssica e constatou Transtorno Depressivo Maior Grave com sintomas somáticos. E logo que começou a ouvir toda a história da família, viu que Jéssica estava também deprimida, pois sintomas de irritabilidade, birra e transtornos de somatização como a enurese e outros, são expressões comuns de crianças deprimidas. F

azendo um exame físico na menina, que tossia muito, pediu Raio-X de pulmão que constatou pneumonia viral bilateral. Jéssica precisou ser internada, pois a sua imunidade caiu muito e precisou de muitos cuidados para ficar totalmente boa dos sintomas. Sua mãe iniciou tratamento antidepressivo e hoje, tres meses após, encontra-se assintomática e já conseguiu tomar a frente do tratamento da filha.

Concluindo: É URGENTE A DIVULGAÇÃO DOS TRANSTORNOS MENTAIS PARA A SOCIEDADE, POIS SITUAÇÕES COMO ESSA, ACIMA DESCRITA, SÃO MUITO FREQUENTES NA PRÁTICA MÉDICA DIÁRIA.

Infelizmente, o pai se recusa participar da recuperação de Jéssica, por continuar achando que tudo aquilo foi devido a falta de umas boas palmadas… é mole??!!

 

Por:

Evelyn
Especialidade: Neuropsiquiatra e psicoterapeuta

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