Escolher corretamente o que comer é a saída para aproveitar a fartura da mesa natalina com consciência e corpo leve. Saiba o que os alimentos desta página reservam para a sua saúde
Por Pamela Leme
Peru: é a opção mais levinha entre as carnes do jantar de Natal, com 159 calorias por fatia (100 gramas). "A vantagem das carnes brancas é que elas são tão ricas em proteínas quanto as outras, mas têm menos gordura saturada e colesterol", aponta a nutricionista Patrícia Davidson Haiat, do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional (CBNF).
Essas características são importantes para controlar os índices de LDL, o colesterol ruim, e evitar entupimento de artérias e risco de enfarte. O teor de sódio também é menor. Em excesso, o mineral pode provocar hipertensão, pedra nos rins e males do estômago – inclusive, tumores. Mas tome cuidado com a forma de preparo. "Evite abusar de embutidos, bacon e manteiga, que carregam alto teor de gorduras saturadas, colesterol e sódio", sugere a nutricionista Julieta Regina Moraes, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.
Arroz com passas: a iguaria é normalmente preparada com arroz branco, que não empolga quem entende de nutrição. "Durante o processo de refinamento, o grão perde grande quantidade de fibras e vitaminas", aponta Patrícia Davidson. De acordo com ela, a parte vantajosa do prato está na uva-passa.
"A fruta seca minimiza os picos de glicose [açúcar no sangue] provocados pelos carboidratos do arroz", destaca. As fibras naturais da uva, do tipo solúvel, atuam especialmente no trato gastrointestinal, onde ocorre a digestão e absorção dos nutrientes. Elas atrasam o esvaziamento do estômago (o que evita ataques à geladeira), absorvem nutrientes (entre eles, a glicose) e diminuem a absorção do colesterol. Aproveite: duas colheres de sopa da receita têm apenas 62 calorias.
Troca inteligente: que tal substituir o arroz branco pelo integral? Além de acumular mais fibras, ele vem recheado de vitaminas do complexo B (fundamentais para as funções do sistema nervoso), zinco (envolvido em processos bioquímicos relacionados à imunidade, formação óssea e cicatrização) e magnésio (chave do aproveitamento de energia).
A nutricionista Marcela Knidel, da clínica SPA Hamonya Senior, do Rio de Janeiro, windica, também, utilizar quinoa no lugar do arroz branco. "O grão turbina o metabolismo e dá aquele pique", explica. Além das passas, você pode ainda incrementar o arroz com vegetais que fazem bem à saúde, como brócoli (tem cálcio e vitaminas à beça) e cenoura (fonte de vitamina A).
vinho: a bebida ganha cada vez mais respeito entre especialistas, pelos seus muitos benefícios à saú- de do coração. "Aumenta as taxas de HDL, o colesterol bom, o que inibe a formação de placas nas ar- térias coronárias", diz a nutricionis- ta Julieta Regina Moraes.
O vinho também oferta muitos polifenóis, propriedades antioxidantes que atuam no metabolismo de gordu- ras, ativam a coagulação do sangue e afastam tumores cancerígenos. Mas nem por isso você pode exagerar, já que o "suco dos deuses" tem 12% de teor alcoólico na com- posição. Ideal é degustar até duas taças por dia. São 72 calorias em 100 mililitros da bebida. Tim-tim.
Troca inteligente: o suco de uva integral, com o mesmo volume diário, oferece as mesmas vantagens que o vinho. "Os polifenóis po- dem ser encontrados em alimentos como uva, cereja, amora, morango, jabuticaba, berinjela e rabanete", indica a nutricionista.
Rabanada: xiii, sinal vermelho! Eis uma bomba calórica embebida em gordura. "O problema está na fritura em imersão. A rabanada é banhada em óleo, que o pão absorve com fa- cilidade", sinaliza Patrícia Davidson. Para completar, o doce leva ovo, leite condensado e açúcar, muito açúcar. Com isto, o aperitivo deposita no cor- po quantidades elevadas de gorduras saturadas (entopem as artérias), co- lesterol (estimula formação de placas no sangue) e açúcares (prejudicam a memória e atrasam o metabolismo).
Que encrenca! A fatia pequena, de 33 gramas, tem 100 calorias. E quem se contenta com uma só? Troca inteligente: pode-se deixar a re- ceita mais saudável com algumas substituições. "Leite condensado light no lugar do tradicional, leite desnatado em substituição ao integral e uso de açúcar light ou adoçante são boas saídas", se- gundo a nutricionista do SPA Hamonya Senior.
Outra dica preciosa vem da nu- tricionista Michelle Leite Oliveira, do Hospital Israelita Albert Einstein: "Para deixar a rabanada menos gordurosa e calórica, é possível assá-la".
Chester: o "superfrango" é geneticamente modificado para desenvolver coxas e peito maiores e mais suculentos. A exemplo do peru, vem lotado de proteínas, além de ferro, fósforo, potássio e zinco, nutrientes importantes para a manutenção de ossos, dentes, músculos e tecidos do corpo.
Isso sem falar no baixo índice de gorduras do mal, as saturadas, de colesterol e sódio, o que significa mais tempo de vida para seu coração. A especialista do Hospital Israelita Albert Einstein recomenda preparar a carne assada, grelhada ou cozida. "Também vale a pena remover peles e gorduras visíveis no pré-preparo desse tipo de carne", alerta. Outra boa notícia: são aproximadamente 165 calorias por fatia de chester – pernil, lombo e tender acumulam 298, 240 e 210 calorias, respectivamente.
Figo, cereja, ameixa, pêssego, uva, nectarina e romã: as frutinhas são essenciais na mesa de Natal, não apenas pela tradição. Além de acompanhar uma infinidade de receitas, fazem parte de um grupo de alimentos vermelho-arroxeados que contam com boas doses de antocianinas.
"Elas são substâncias antioxidantes que ajudam o organismo a combater os radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento precoce e por doenças como o câncer", garante Patrícia Davidson. Veja o que cada uma pode fazer:
Figo: rico em manganês, magnésio e cobre, que melhoram a atividade do sistema imunológico.
Cereja: concentra mais potássio, mineral indispensável para o músculo cardíaco.
Ameixa: funciona como um laxante natural, por ofertar muitas fibras insolúveis.
Pêssego: tem bastantes vitaminas C e E, cuja ação antioxidante é arma do sistema de defesas do corpo e previne infecções.
Uva: além de espantar radicais livres, tem princípios ativos que ativam o metabolismo e contribuem para a queima de gorduras. N n ectarina: cruzamento de pêssego com ameixa vermelha. É fonte de vitamina A, que melhora a saúde dos olhos.
Romã: atualmente objeto de inúmeros estudos, é uma importante ferramenta contra tumores, graças a um trio de ácidos: gálico, elágico e protocatequínico, que ainda protegem a parede interna dos vasos sanguíneos, diminuindo a probabilidade de enfarte e derrame.
Salada de Natal: "É importante iniciar a refeição com a salada, para saciar a fome, uma vez que apresenta alto teor de fibras", garante Marcela Knidel. Esses nutrientes estão presentes, em maior quantidade, na combinação de frutas (naturais e secas), sementes oleaginosas e folhas verdes que compõem a receita agridoce.
Além das fibras solúveis, há presença das insolúveis, que agem no intestino grosso e dão um chega pra lá na prisão de ventre. O prato também vem cheio de proteínas, carboidratos, vitaminas e sais minerais.
"A salada tem propriedades importantes para a construção dos tecidos musculares e fortalecimento do sistema imunológico. As frutas auxiliam no funcionamento do intestino, além de contribuírem para o controle dos níveis de colesterol do organismo", afirma a nutricionista Michelle Leite Oliveira.
Oleaginosas como as nozes são ricas em gorduras monoinsaturadas, responsáveis por equilibrar o nível de açúcar no sangue e ativar o metabolismo da queima de gorduras. Também apresentam ácido elágico, que pode inibir o crescimento de células cancerígenas, e ação antioxidante, que nos protege contra doenças do coração. Mas cuidado: 100 gramas da salada fornecem 185 calorias.
Troca inteligente: apesar de campeã em nutrientes, a salada pode ficar ainda mais magrinha e nutritiva. Cozinhar por três minutos o frango defumado, por exemplo, elimina o excesso de sódio e confere sabor mais leve ao paladar. O creme de leite pode ser substituído por iogurte desnatado, que tem menos gordura, enquanto a maionese dá lugar ao queijo cottage, com o mesmo efeito.
Sobrou. E agora?
A comilança natalina dificilmente é proporcional à quantidade de iguarias ofertadas na ceia. O dia seguinte à festa, quase sempre, é marcado por delícias deixadas pela metade. Vem o dilema: o que fazer com sobras de carnes, frutas, vegetais e maionese? Antes de decidir o destino dos alimentos, é preciso tomar cuidado com a forma como vai conservá-los.
"Pratos perecíveis podem ficar até duas horas em temperatura ambiente. Após esse tempo, bactérias começam a se adaptar e dobram de quantidade a cada cinco minutos", sinaliza a nutricionista Marcela Knidel. Rapidamente, a quantidade destes bichinhos é suficiente para provocar diarreias e vômitos.
A saída? Guardar tudo na geladeira, mesmo alimentos ainda quentes, em embalagens descobertas. Papel laminado, pano de prato e embalagens plásticas com tampa estão proibidos – cubra-os depois de duas horas de refrigeração.
Segundo as especialistas, qualquer receita com maionese deve ser mantida gelada, não importa que estejam à mesa. Cubos de gelo em uma travessa podem ser bom suporte para manter o prato fresquinho. E, diferentemente do que muita gente pensa, nozes, avelãs e amêndoas não duram até o próximo Natal. Devem ser consumidas em até três meses (veja na página ao lado como transformar as sobras em deliciosos pratos).
Reaproveite!
Frutas naturais: podem virar café da manhã, misturadas com iogurte e cereais. Também rendem uma boa salada de frutas para a sobremesa do almoço.
Frutas oleaginosas e secas: ideais para incrementar arroz, saladas, gelatina e iogurte. Também servem de lanche entre as refeições. Mas não abuse, porque apesar de supernutritivas, as frutinhas não economizam em calorias. 100 gramas de damasco seco têm 238 calorias. A mesma quantidade de nozes-pecã (que podem virar torta; veja receita) soma 651 calorias. A ameixa seca vem com 239 calorias e as amêndoas registram 589 calorias. O abacaxi desidratado apresenta 150 calorias e a macadâmia é dona de 702 calorias. Escolha bem.
Lentilha: a leguminosa pode dar sabor refrescante às folhas verdes – acrescente azeite de oliva e ervas naturais como a hortelã e… voilà: tem a salada perfeita para o verão.
Carnes: desfiados ou triturados, peru e chester se transformam em sanduíches apetitosos (veja receita). Também podem resultar em um salpicão saudável, acompanhado de nozes, passas e queijo cottage.
Sanduíche com sobra de chester ou peru
Ingredientes
1 tomate em rodelas 1 baguete integral (sem miolo) 4 colheres (sopa) de maionese light ou de leite 4 folhas de alface 150 g de queijo prato light fatiado 250 g de chester ou peru fatiado Cerejas para decorar Sal a gosto
Preparo
Corte as baguetes ao meio na horizontal, espalhe a maionese, coloque alface, tomate e sal. Acrescente queijo enrolado e as fatias de chester ou peru. Feche, corte em fatias e decore com palitos espetados com cerejas. Dica: se preferir, substitua a baguete por duas fatias de pão de forma integral, pão preto, pão de soja ou pão de grãos. A maionese pode ser trocada por queijo cottage ou requeijão light. Se preferir, queijo-de-minas ou ricota dão lugar ao queijo prato.
Rendimento 1 porção CaloriIas: 220 kcal (100 gramas).
Fonte: Revista Natural
Alimentação