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Alimentos da paixão

January 12th, 2010

 

 

Considerados afrodisíacos, eles também ajudam a promover a saúde e dão aquela apimentada na relação


por Leonardo Guariso / fotos Juca Vieira / produção Marcia Asnis / fotomontagem FEU

 

Foto Juca Vieira / Produção Marcia Asnis / Fotomon

Há séculos eles são tachados de afrodisíacos e prometem fazer milagres na vida sexual. Foram associados à Afrodite, a deusa do amor, e com sua "bênção" ganharam fama de estimulantes sexuais. A ciência resolveu tirar essa história a limpo e descobriu que alguns alimentos podem ajudar a apimentar a relação, mas como coadjuvantes. Isso significa que acertar em cheio na hora agá não depende apenas deles, mas do quanto você se preocupa com seu bem-estar. "Alimentos afrodisíacos são aqueles que melhoram a circulação sanguínea e, consequentemente, também a dos órgãos genitais e a disposição física", explica a nutricionista Roseli Rossi, especialista em nutrição clínica.

Como se vê, saúde e sexo trabalham juntos, ou seja, é preciso estar com o corpo e a mente relaxados para um melhor desempenho. Mas quais alimentos são esses? A lista é extensa e de alguns você provavelmente já ouviu falar. Caso do amendoim, conhecido como "viagra de pobre", por estimular a ereção. Diferente do comprimido azul, a semente não possui agentes químicos que atuam diretamente na vasodilatação sanguínea, no entanto, é rico em vitamina B3, nutriente que colabora nesta função. "Sabe-se que uma das causas do órgão masculino não manter-se ereto é a falta de circulação na região. A vitamina B3 auxilia no aumento do diâmetro das artérias, facilitando o fluxo de sangue", pondera Roseli.As ostras também entram nessa relação afrodisíaca e é bom avisar: nada tem a ver com seu formato (associado ao órgão reprodutor feminino). O segredo está na grande quantidade de zinco, mineral que contribui para a formação de testosterona, o hormônio masculino. Além disso, a substância melhora a performance muscular, facilita a ereção e é importante para a saúde do sêmen. "O zinco é essencial para a maturação do esperma, para a ovulação e para a fertilização", conta a nutricionista funcional Priscila Bongiovani Spiandorello.Outro componente de destaque nesse fruto do mar é o selênio, um antioxidante capaz de combater os radicais livres (responsável pelo envelhecimento precoce das células) e aumentar a fertilidade masculina, aumentando a mobilidade e vida dos espermatozoides.

Chocolate com pimenta
Quem já experimentou a combinação conhece o leve sabor ardido do alimento. Mas tanto o chocolate quanto a pimenta se garantem sozinhos quando o assunto é despertar a libido. O doce escuro ajuda a produzir a serotonina, um neurotransmissor que estimula a área do cérebro ligada ao prazer. E mais: "Conta com arginina, composto com função vasodilatadora", revela a nutricionista Roseli.

E se pimenta no prato dos outros "incendeia" a refeição, no organismo a reação é parecida. Os efeitos fisiológicos gerados com o consumo do condimento (frequência cardíaca elevada e suor excessivo) são parecidos às reações físicas durante o sexo.

Fotos shutterstock

Fator ômega-3 e 6
O salmão, a sardinha e a semente de linhaça nunca foram considerados alimentos afrodisíacos, mesmo assim deveriam entrar nesse rol. Isso porque são ricos em ômega-3, um tipo de gordura benéfica ao organismo. "Ela desempenha importante papel no equilíbrio hormonal sadio, fortalecendo o sistema imunológico, prevenindo anomalias neurológicas, problemas cardiovasculares e ameniza a TPM", afirma a nutricionista Priscila. Em outras palavras, com a saúde em dia as chances de o ato sexual ser mais prazeroso são maiores.Com o ômega-6, presente nos óleos vegetais (canola, girassol e soja) e nas frutas oleaginosas (avelã, amêndoa e castanha- de-caju) a história é parecida no que diz respeito a benefícios. O nutriente fornece energia para a mobilidade dos esperma- tozoides, capacidade que define a sua eficácia quanto à penetração no óvulo.

Homens que fumam têm 40% mais chances de sofrer de impotência

Mais energia, menos cansaço
Se a sensação de fadiga o vive perseguin- do, mesmo sem ter feito um esforço que justifique a sensação, atente-se: pode ser falta de magnésio no organismo. E sen- tir-se cansado antes mesmo de começar a relação sexual é um ponto negativo para você. O mineral dá energia para o corpo e evita as inconvenientes câimbras. Também libera o caminho para o sangue passar tranquilamente pelas artérias e, da mesma maneira que o ômega-6, favorece a ação dos espermatozoides. "O nutriente pode ser encontrado em vegetais verde- escuros, como o brócolis, o espinafre e a couve, ou na aveia e no arroz integral", exemplifica a nutricionista Roseli.

Aumente a fertilidade
Consumir frutas diariamente é uma tarefa que deve ser seguida com afinco, pois tam- bém colaboram para o bom desempenho na cama. A maioria delas contém vitamina C, um dos antioxidantes mais conhecidos capaz de aumentar o sistema de defesa do organismo. Mas sabia que a substân- cia também protege o sêmen dos radicais livres? Ela é um verdadeiro escudo para os espermatozoides manterem a fertilida- de. Além disso, as frutas são abundante em fibras, composto que ajuda a regular o colesterol e melhorar o fluxo sanguíneo. "Consumindo-se em média uma goiaba ou duas laranjas ao dia será o suficiente para suprir as necessidades, com exceção dos fumantes, que precisam de uma dosa- gem elevada de vitamina C, praticamente o dobro" diz a nutricionista Priscila.

Ostras afrodisíacas

Ingredientes
12 ostras frescas
Gelo triturado

Molho
1 colher (chá) de cebola bem picada
Sal e pimenta-do-reino
1 colher (sopa) de salsão picado
1 colher (sopa) de pasta de raiz-forte
½ colher (chá) de tabasco
½ xícara de suco de tomate
1 colher (sopa) de molho inglês
2 colheres (sopa) de sumo de limão

Preparo
Abra as ostras colocando-as sobre um pano limpo com o lado mais arredondado para baixo e introduza uma faca pequena no meio da concha para separar as metades, torça a faca de forma a exercer pressão. Assim que sentir que a pressão aliviou, passe a faca em toda a volta da ostra para soltá-la. Retire a parte superior da concha deixando que o líquido fique na parte inferior. Coloque as ostras em uma travessa sobre uma camada de gelo triturado. Para o molho, bata os ingredientes em um liquidificador, coe (em um coador fino) e coloque em uma molheira. Sirva à parte.

Drible o sono
Você acabou de comer um belo prato de macarrão e no momento do ato bateu aquela sonolência. Culpa dos carboidratos simples. Embora sejam considerados fonte de energia para o corpo, o nutriente pode atuar na contramão. Encontrados no arroz, no mel, no açúcar refinado, por exemplo, são processados rapidamente pelo orga- nismo e causam a sensação de sono.

A alternativa são os carboidratos com- plexos! "Diferente dos simples, eles de- moram mais para serem metabolizados, logo, mantém a energia por mais tempo", explica Roseli. Anote aí: Cereais integrais (aveia, trigo e centeio) e pão integral são boas opções desta substância.

Álcool: os dois lados
Sabia que a bebida alcólica ajuda a me- lhorar o desejo sexual? É bom avisar, sua função está relacionada em deixar a pes- soa mais desinibida e só vale se for con- sumido em pequenas doses. Para uma atividade mais picante, o vinho tinto é a sugestão, pois contém revesterol, um an- tioxidante encontrado na uva vermelha. O composto aumenta o bom colesterol e diminui o ruim, e adivinha? É um efi- ciente vasodilatador!

O outro lado da questão também merece ser esclarecido. A cerveja em excesso, por exemplo, provoca o aumento de peso e, em situações mais complexas, a impo- tência sexual. "Atualmente, esquecemos de nos alimentar com qualidade e varie- dade, e quando o corpo está bem nutrido a tendência é que funcione adequada- mente", afirma Priscila.

 

Temidos vilões
Entre os vários malefícios que o cigar- ro provoca, a disfunção erétil é um dos principais da lista. Um estudo elaborado por cientistas da Universidade Real de Londres, na Inglaterra, revelou que ho- mens que fumam têm 40% mais chances de sofrer de impotência do que aqueles que não fumam.

E mais! Até mesmo o consumo exagera- do de café pode afetar a fertilidade. Uma pesquisa elaborada por estudiosos da Universidade Radboud, na Holanda, su- geriu que a bebida pode reduzir as chan- ces de gravidez em mulheres que já têm problemas de fertilidade. Que fique claro: A descoberta se aplica apenas a mulheres com baixa fertilidade, que querem maxi- mizar suas chances de gravidez.

A atenção também vale para as gorduras trans e saturadas, sem dúvida dois agen- tes noviços para a saúde. Ambas trabalham com efeito contrário de tudo o que foi dito até agora: aumentam o colesterol ruim e dificultam o fluxo sanguíneo. "A curto prazo, diminuem o desempenho sexual. A longo, entopem as artérias e causam o in- farto", afirma a nutricionista Roseli.

 

 

Fonte: revista Natural e Equilíbrio

 

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Forma como percebemos o tempo depende da memória, diz estudo

January 12th, 2010

 

Por Benedict Carey
The New York Times

Aquela velha pergunta alarmante da manhã seguinte à virada do ano ("Ai, o que foi que eu fiz ontem à noite?") – pode até parecer agradável em comparação àquela que pode vir em seguida, "Ai, o que exatamente eu fiz com o ano passado?" Ou: "Espere um minuto – por acaso uma década acabou de passar?"

Sim. Em algum ponto entre a trigonometria e a colonoscopia, alguém deve ter pressionado o botão de avançar. O tempo pode marchar, caminhar, voar ou engatinhar, mas no início de janeiro sempre parece que ele relampejou como um convidado bravo para o jantar, deixando conversas inacabadas, relacionamentos ainda travados, maus hábitos ainda vivos, metas inalcançadas.

The New York Times

Se muito poucos eventos vêm à mente, a percepção do tempo não persiste; o cérebro encurta o intervalo que passou

"Acho que, para muitas pessoas, nós pensamos em nossos objetivos, e se nada de mais aconteceu com eles, então de repente parece que foi ontem que os definimos", disse Gal Zauberman, professor-associado de marketing da Wharton School of Business.

Porém, a sensação do tempo passando pode ser muito distinta, segundo Zauberman, "dependendo do que você pensa e como pensa".

Na verdade, os cientistas não têm certeza de como o cérebro acompanha o tempo. Uma teoria afirma que ele tem um grupo de células especializadas em contar intervalos de tempo; outra diz que uma ampla gama de processos neurais age como um relógio interno.

De qualquer forma, segundo estudos, este marcapasso biológico não possui um grande alcance de intervalos longos. O tempo não parece desacelerar com um gotejar numa tarde vazia e acelerar quando o cérebro está envolvido em pensamentos desafiadores. Estimulantes, incluindo a cafeína, tendem a fazer pessoas sentirem que o tempo está passando mais rápido; trabalhos complexos, como calcular seus impostos, podem parecer se arrastar por mais tempo do que realmente tomam.

E acontecimentos emocionais – uma separação, uma promoção, uma viagem para fora do país – tendem a ser percebidos como mais recentes do que na realidade, em meses ou até anos.

Para resumir, segundo alguns psicólogos, as descobertas sustentam a observação do filósofo Martin Heidegger, de que o tempo "persiste meramente como uma consequência dos eventos ocorrendo dentro dele".
Agora, pesquisadores acreditam que o contrário também pode ser verdade: se muito poucos eventos vêm à mente, a percepção do tempo não persiste; o cérebro encurta o intervalo que passou.

Num estudo publicado na edição de dezembro do jornal Psychological Science, Zauberman liderou uma equipe de pesquisadores que testou a memória de alunos universitários para diversos novos eventos, incluindo a indicação de Ben S. Bernanke para presidente do Federal Reserve (33 meses antes do estudo) e a decisão de Britney Spears de raspar os cabelos (20 meses). Em média, os alunos subestimaram quanto tempo havia passado em três meses, segundo o estudo.

Não foi uma completa surpresa. Num experimento clássico, um explorador francês chamado Michel Siffre viveu numa caverna por dois meses, se afastou do ritmo de noite e dia e fabricou relógios artesanais. Ele ressurgiu convencido de que havia se isolado por apenas 25 dias. Deixado por conta de seus próprios meios, o cérebro tende a condensar o tempo.

No entanto, a forma pela qual ele fixa o tempo relativo de eventos depende da memória, diz o novo estudo. No ponto em que os estudantes no estudo recordaram desenvolvimentos relacionados ao evento original – a complicada vida amorosa de Britney, digamos, ou as intervenções de Bernanke na economia –, esse evento parecia muito distante. Numa série de experimentos, os pesquisadores testaram memórias pessoais e memórias de vídeos vistos no laboratório. O padrão se manteve: quanto mais vinham à mente desenvolvimentos intervenientes relacionados, mais distante parecia o evento original.

"As pessoas têm dificuldade em compreender a passagem do tempo", disse Zauberman, "e, para entendê-la, junte-a a algo que compreendemos" – o descobrimento de eventos. Seus coautores eram Jonathan Levav, da Columbia University, Kristin Diehl, da University of Southern California, e Rajesh Bhargave, da University of Texas, em San Antonio.

Em trabalhos anteriores, pesquisadores descobriram uma dinâmica similar funcionando no julgamento de pessoas para intervalos que duram apenas momentos. Estímulos relativamente pouco frequentes, como flashes ou sons, tendem a elevar a velocidade do marcapasso interno do cérebro.

Num nível óbvio, esse tipo de descoberta oferece uma explicação para o motivo pelo qual as crianças de outras pessoas parecem crescer tão mais rápido que as nossas. Pais envolvidos são todos muito cientes de cada soluço, lábio cortado e primeiro passo com seus próprios filhos; contudo, ver a criança de um primo com intervalos de anos, sem memórias intervenientes, encurta o tempo.

Em outro nível, a pesquisa sugere que o cérebro tem mais controle sobre sua própria percepção do tempo passando do que as pessoas podem imaginar. Por exemplo, muitas pessoas têm a sensação de que foi ontem que fizeram suas resoluções de ano novo; o ano voou e eles não começaram a escrever aquele romance ou começaram as aulas de pilates. Entretanto, foi exatamente porque eles não agiram com seus planos que o tempo pareceu escorrer pelos dedos.

Por outro lado, a nova pesquisa sugere que focar em objetivos ou metas que foram realmente trabalhados durante o ano – tendo eles sido ou não rotulados como "resoluções" – dá ao cérebro a oportunidade de preencher o ano que passou com memórias e tempo percebido.

A mente é perfeitamente capaz de interpretar um ano – ou década – que foi "avançado", como algo diferente de um dissipar de oportunidades pelo autoaperfeiçoamento. Em outra série de experimentos, publicados no Psychological Science, psicólogos descobriram que, quando pessoas eram levadas a acreditar que havia se passado um tempo maior do que pensavam, elas deduziam que provavelmente estavam se divertindo mais. A percepção elevava seu divertimento com música e suavizava a chatice de realizar tarefas menores.

"Uma coisa que a psicologia social nos ensinou, por várias vezes, é que a mente é um maravilhoso dispositivo de criação de sentimentos, ela absorve informações ambíguas ou confusas e as simplifica de acordo com seus princípios", disse Aaron M. Sackett, psicólogo da University of St. Thomas, em Minnesota, e principal autor do estudo.

"Nesse caso, ao sentir o tempo abreviado, mas sabendo que ele é inflexível, temos que nos apoiar em nossas próprias crenças para dar sentido à diferença. E uma delas é ‘O tempo voa quando estamos nos divertindo’".

Um ano como 2009 certamente não foi apenas diversão. Mas parte dele certamente foi – quer melhor desculpa para negligenciar as tristes exigências do autoaperfeiçoamento?

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