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O que é o “TEMPO”?

February 24th, 2010

 

Para uns, é uma ilusão. Para outros, uma implacável grandeza física ou biológica.

 

Por Greice Costa
Colaboração: Patrícia Ribeiro, Cacau Peres e Cristiane Tabarelli
Ilustrações: Edna Lopes

Tempo em pensamento
O tempo sempre foi objeto de estudo dos homens, mas
ainda não há uma teoria final que o defina. Registros
sobre a consciência da passagem do tempo começam na
pré-história – arte rupestre documentando nascer e pôr
do sol, por exemplo. Alguns dos escritos mais antigos
sobre o tema vêm do Egito antigo, de antes de 2650 a.C.:
“Não deprecie o tempo seguindo o desejo, porque a perda
de tempo é uma abominação ao espírito” (Ptahhotep).
Os Vedas, textos da filosofia hindu com mais de 4 mil anos, colocam o tempo em ciclos de criação, destruição e renascimento do Universo que duram 4.320.000 anos.
Na Grécia, antes de 400 a.C. nasceram muitas visões sobre o tempo. Para Platão, seria um processo cíclico que coexistia com o mundo, a “imagem móvel da eternidade”.


Aristóteles também acreditava nessa coexistência com o mundo e que este era finito, mensurável e,mesmo assim, eterno. Ele admitia que o “tempo é um
número do movimento”.


Santo Agostinho, no século IV, defendeu que o tempo não podia existir fora do espírito. Dividiu o tempo em três, com referência no presente: o presente do passado
(memória), o presente do presente (atenção) e o presente do futuro (espera).
Os filósofos e teólogos medievais desenvolveram o conceito do tempo do Universo com um nascimento certo, baseado no mito da criação, compartilhado pelas três religiões abraâmicas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Os cristãos ainda acreditam no fim, quando Jesus retorna para o Juízo Final.
Culturas ancestrais como incas, maias, algumas tribos americanas, babilônios, budistas, jainistas e, como vimos, hindus, preferem a ideia da roda do tempo, retratando-o cíclico, em eras nas quais o Universo nasce e se extingue.
Para o filósofo alemão Immanuel Kant, do século XVIII, o tempo era um conceito inerente à mente humana e não uma característica do mundo externo.


Para o indiano Krishnamurti (século XX), toda a consciência é no tempo – tempo em pensamento, que é a resposta da memória, que é o passado, que se move
para o presente até o futuro. A estrutura da consciência, assim como do inconsciente, está na estrutura do tempo, não apenas o cronológico, mas também o psicológico.
Dividimos essa consciência entre superficial e escondida. A superficial é a mente educada, moderna.
A escondida são todos os fatores latentes do passado. Algumas partes dela estão despertas, outras dormem.

Tempo é dinheiro?


Até o século XVII, os homens mediam o tempo pelas tarefas que faziam. O puritanismo protestante começou a inverter essa “conta” – o homem começou a acumular
riquezas e realizar trabalhos para Deus, e assim passou a fazer o maior número possível de tarefas em determinado tempo. O capitalismo reforçou essa ideia e a tecnologia acelerou o ritmo. Vivemos em uma era que valoriza a produtividade
e a velocidade. Como contraponto, pensadores como Bertrand Russell e Domenico de Masi colocaram a importância do ócio no tempo do homem. O último destaca que
hoje luxo não é acumular dinheiro, mas tempo livre. E o que nós, praticantes de Yoga, temos a ver com isso? Dedicando tempo à nossa prática, podemos ganhar
presentes, principalmente o presente em si. Em seu Yoga Sutra, Patañjali diz que a prática (esforço de manter a estabilidade) torna-se bem centrada quando contínua, com devoção reverente e sem interrupção por um longo período de tempo. Princípios como autoconhecimento e verdade o levam a descobrir o que é essencial para você. Desapego ajuda a refletir se você realmente precisa dispensar tanto tempo de sua
vida para ganhar mais dinheiro. E para seguir um ideal: Kaivalyam é a condição em
que acontece a perfeita integração entre o praticante e o universo ao seu redor e ambos tornam-se um. A mente não se limita mais a pensamentos nem é influenciada
pelas inconstâncias do tempo, e é indiferente às mudanças, pois não se subordina às qualidades da matéria.
Não é exatamente a busca do tempo livre, mas do tempo em liberdade.


Em ciências


Na física, o tempo é considerado uma das grandezas fundamentais. Atualmente os cientistas acreditam que o Universo, inclusive o tempo, surgiram no Big Bang, a grande explosão, há cerca de 12 bilhões de anos. Stephen Hawking, um dos cientistas mais importantes de nossa época, diz que mesmo que o tempo não tenha começado no Big Bang, nenhuma informação antes desse período seria acessível e
nem teria efeito sobre o nosso presente. Galileu, no século XVI, e Isaac Newton, entre os séculos XVII e XVIII, introduziram a medida do tempo e de alguma forma o imobilizaram. Antes deles, o tempo era conhecido intuitivamente, era algo
subjetivo e orgânico. Ao ser medido, deixou de fazer parte do todo, da natureza, e passou a ter uma existência abstrata e independente. Na mecânica de Newton, o tempo é um parâmetro que nada faz. Por seu lado, Gottfried Leibniz, contemporâneo
de Newton, afirmou, antecipando Albert Einstein, que tempo e espaço são relativos.
Já no século XX, Einstein, com sua Teoria Geral da Relatividade, revelou que o espaço e o tempo podem ser distorcidos na presença de matéria e de energia devido a um processo gravitacional. Assim, devolveu-os à natureza como algo real, que participa e que se transforma. Atualmente questiona-se se é possível definir o tempo quântico,
ou ainda se este tempo quântico tem direção. O tempo quântico provavelmente não pode ser definido e talvez nem exista, já que faz parte do microscópico
mundo quântico de átomos, núcleos atômicos e partículas subnucleares, onde tudo pode acontecer.


Amit Goswami contesta as teorias materialistas e desconstrói a ideia de que a matéria é o principal elemento formador da criação. Ele afirma fazendo seu o ensinamento
da milenar tradição hindu, no qual a consciência é o fundamento de
tudo aquilo que conhecemos e percebemos.


Fontes:
Site eYoga


• O Tempo através do Tempo ou Tempo É uma Ilusão, Prof. Dr. Paulo Laerte Natti,
Profa. Dra. Érica Regina Takano Natti
• Na Medida Certa, Alexandre Vinicius C. Damasceno e Roseane Corrêa Gomes
• Wikipedia
• A Eliminação do Tempo Psicológico – J. Krishnamurti e David Bohm
• O Universo Autoconsciente – Como a Consciência Cria o Mundo Material – Amit Goswami

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Ensinamentos Budistas

January 26th, 2010

 

Muitos não sabem que estamos neste mundo para viver em harmonia, esquecendo-se de que morrerão em dia e que estão aqui de passagem. Para os que meditam sobre isso, não há divergências e a vida se torna mais branda.

A idade consome este frágil corpo, ninho de doenças e decrepitudes, que a decomposição por fim desagrega. Atrás da vida, esconde-se a morte. Nesta estrutura toda de ossos recobertos de carne e sangue habitam o orgulho, o ciúme, a hipocrisia, a decadência e a morte.
Curta é a vida do homem, limitada e rápida, cheia de penas e tormentas. É necessário compreender isto sabiamente, fazer boas ações e levar uma vida nobre e pura e sem prejudicar ninguém; ninguém escapa da morte.
"Esses filhos são meus, estas riquezas são minhas". Assim se atormenta o insensato. Verdadeiramente, nem nos pertencemos a nós mesmos, muito menos filhos e riquezas.

Quem nunca viu uma pessoa velha, sem dentes, cabelos raros e brancos, sem beleza; uma pessoa doente, fraca, sem energia, consumida pela dor e lamentos; um cadáver, rijo, frio, pálido, sem expressão. Nunca lhe ocorreu que ninguém está livre dessas coisas; da velhice, decadência e da morte?

A ilusão do "eu" é a fonte de todo o mal, injustiça e o sofrimento. É o princípio de todo o ódio, da corrupção, da calunia, da indecência, do roubo, da opressão e do derramamento de sangue. O "eu" é a morte; a Verdade é a vida. O apego ao "eu", ou à personalidade, é a morte contínua.

A vigilância é o caminho da imortalidade; a negligência é o caminho da morte. Os vigilantes não perecem; os negligentes já estão como mortos.

As ações

Não menospreze o mal, pensando: "Ele não recairá sobre mim". Assim como a água, gota a gota enche o pote, assim o néscio, pouco a pouco se deixa invadir pelo mal.

Não superestime o bem, pensando: "Nunca o atingirei". Assim como a água, gota à gota enche o pote, assim também o sábio, pouco a pouco torna-se uma fonte de bondade.

O ódio jamais é vencido pelo ódio. O ódio só se extingue com amor; esta é uma lei eterna.

O veneno não penetra na mão onde não há ferida, nem o mal atinge aquele que não o pratica.

Melhor do que mil palavras vãs, é uma simples palavra que dê paz a quem a ouve.

Mais vale um só dia vivido na virtude e na meditação que cem anos na ilusão do transitório, sem considerar que tudo surge para desaparecer.
Não há deus, nem poder e lugar algum neste mundo que possa nos livrar do resultado das nossas ações boas ou más.

Por mais poder, sucesso e realização que eu obtenha nesta vida, por mais que eu me viaje, proteja e me esconda, no final estarão me esperando um dos mensageiros do Caminho; a doença, a decadência e a morte.
Doce como o mel parece para o tolo a má ação enquanto imatura; porém quando ela amadurece, o sofrimento e a má sorte aparecem de surpresa, inexplicável, amargo como o fel.

A má ação não dá frutos imediatos, como o leite recém-derramado não azeda de imediato. Como o fogo escondido sob cinzas, um belo dia o mal irrompe sobre o insensato.

*Getúlio Taigen – Monge Budista Zen
Extraído do texto de Alexandre Lira, da Sociedade Budista do Brasil

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